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CULTIVARES PLANTADOS NO BRASIL
Dezenas de cultivares de amendoim são plantados no Brasil, nas mais variadas regiões, de Norte a Sul do país. Dezoito deles são oficialmente registrados para cultivo comercial e reprodução de sementes certificadas, visando preservar as suas qualidades. Em São Paulo, principal Estado produtor, atualmente predominam dois cultivares: Runner IAC 886 e IAC Tatu ST, difundidos pelo IAC, Instituto Agronômico de Campinas (dados fornecidos pelo pesquisador Ignácio Godoy, responsável pelo programa de melhoramento genético). Estes, e outros cultivares em fase de lançamento no mercado, são apresentados a seguir.
Runner IAC 886: é de hábito de crescimento rasteiro, apresentando, nas condições de São Paulo, um ciclo de 125 a 130 dias, do plantio à colheita. Em condições favoráveis de temperatura, fertilidade do solo, controle de pragas e doenças e ausência de estresse hídrico, sua produtividade máxima esperada é de 6.500 Kg / hectare de amendoim em casca. Esse cultivar é suscetível a pragas e doenças, por isso há necessidade de acompanhamento constante da lavoura, e indicação de pulverizações com inseticidas e fungicidas para o controle. Os grãos deste amendoim são de pele rosada e de tamanho maior do que os tradicionais, mais conhecidos no Brasil.
IAC Tatu ST: cultivar do tipo Valência (denominação vulgar de amendoins de vagens alongadas com mais de duas sementes ou grãos), caracteriza-se pelo porte ereto, pelas vagens longas e retilíneas com 3 a 4 grãos de tamanho pequeno, de pele vermelha e sabor ligeiramente adocicado. Este amendoim é o mais tradicional, e ainda consumido principalmente torrado com pele. Entretanto, este tipo está perdendo espaço no mercado brasileiro para os amendoins tipo “runner”, como o anterior, cujos grãos, na indústria, oferecem opções para a elaboração de uma variedade maior de produtos, entre doces e confeitos, além dos amendoins salgados “sem pele”.
Para os agricultores, os cultivares rasteiros trazem uma série de vantagens sobre os tipos eretos. Entre elas estão: o maior potencial produtivo, a melhor qualidade da colheita (arranquio e enleiramento mecanizados) e a menor taxa de amendoins “brotados” no campo, que afetam a qualidade do produto.
O Programa de melhoramento genético do IAC vem trabalhando no desenvolvimento de cultivares rasteiros. Um deles, criado recentemente, é o IAC 213, que associa o porte rasteiro com a produção de grãos com pele vermelha, semelhantes aos tradicionais, para os que se interessam por este tipo de amendoim. O IAC 213 possui outra vantagem: seu ciclo vegetativo é de cerca de 120 dias, do plantio à colheita, facilitando sua adoção nas regiões onde o amendoim é plantado na renovação da cana-de-açúcar.
As vagens de IAC 213 possuem moderada constrição, bico com pequena proeminência, casca fina e levemente reticulada; cada vagem contém dois grãos arredondados, de tamanho pequeno a médio, uniformes entre si, ideais para a elaboração de produtos confeitados. O Quadro abaixo mostra um resumo das características dos 3 cultivares mencionados.
| Características agronômicas das cultivares de amendoim, IAC 213, IAC Tatu ST e Runner IAC 886 | |||
| Características | IAC 213 | IAC Tatu ST | Runner IAC 886 |
| Porte | Rasteiro | Ereto | Rasteiro |
| Ciclo (DAP¹) | 120-125 | 90-110 | 125-130 |
| Número de sementes/vagem | 2 | 3/abr | 2 |
| Cor da semente | Vermelha | Vermelha | Rosada |
| Rendimento % (peso grão/peso total) | 71,04 | 70,71 | 75,39 |
| Peso de 100 grãos (g) | 40-50 | 30-40 | 50-70 |
| Formato da semente | Arredondada | Irregular | Oblonga |
| Teor de óleo na semente (%) | 46-48 | 47-49 | 46-48 |
| Resistência à mancha preta | S | S | MS-S |
| Resistência à mancha castanha | MR | S | MR |
| Resistência à ferrugem | S | S | S |
| Produtividade potencial (kg.ha) | 4.925 | 3.990 | 6.418 |
| ¹ Dias após plantio, S: suscetível, MS: moderadamente suscetível MR: moderadamente resistente |
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OUTROS CULTIVARES DESENVOLVIDOS PELO IAC
Entre os cultivares criados pelo IAC, pode-se também destacar o IAC Caiapó, também do tipo rasteiro, com ciclo entre 130 e 140 dias. Além da produtividade, destaca-se pela resistência a doenças da parte aérea e pelo elevado teor de óleo nos grãos. Embora o seu cultivo seja limitado nas regiões de cana-de-açúcar, por causa do ciclo mais longo, apresenta-se como uma opção interessante, para regiões onde o ciclo mais curto não é requerido. A sua resistência a doenças propicia ao produtor trabalhar com um menor número de pulverizações, com redução de custos. O custo reduzido e o teor destacado de óleo nos grãos tornam este cultivar uma das melhores opções para cultivos visando à produção de óleo. O óleo de amendoim possui destacadas qualidades culinárias, sendo valorizado no mercado de óleos comestíveis.
Para o mercado de amendoins tipo “runner”, o IAC registrou este ano mais dois cultivares, que apresentam vantagens sobre o cultivar Runner IAC 886. Um deles é o IAC 137 (figura abaixo).

Fonte: EMBRAPA- “O amendoim contador de história” (Setembro, 2003)
IAC- Instituto Agrônomo- “IAC 213: Cultivar de amendoim rasteiro com grãos de “pele vermelha” para o mercado brasileiro”
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